quarta-feira, 8 de janeiro de 2014


AVELEIRAS, 1989

 

 

Fim de tarde.

Crepúsculo.

Silêncio.

O céu carregado de nuvens mansas,

Manto plúmbeo de quente sossego.

Rumor de falas espaçadas,

Na calçada, arrastados passos,

Balidos tristes de ovelhas e suas crias.

Mas que silêncio se abateu

Sobre esta aldeia esquecida,

Aninhada, satisfeita,

No colo de um pequeno monte!

Donde lhe virá esta paz?

Que desígnio lhe concede este isolamento?

As duas tílias, no largo,

Dormem um sono de criança saudável.

A própria noite desce com brandura

Não vá perturbar o silêncio

Ao cobrir tão doce pacatez.

Um perfume de lenha queimada,

Nostálgica lembrança de outros crepúsculos,

Passa disfarçado no canto brioso de um galo.

A realidade solidificou neste silêncio.

É inevitável sentir os seus contornos.

 

 

 

 

 

 

José Júlio Campos

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